quinta-feira, 5 de maio de 2011

Indefinição: Um diálogo

- Sabe como é, né? não tenho controle nenhum sobre nada.
- tem sim, bastante, até que tomam seu controle.
- tarefa fácil!
- Não as pessoas, mas as atmosferas, os sentidos, os sentimentos.
Não controla tuas risadas, mas teus sorrisos são comedidos
- Nesses casos, a tarefa de me tomar o controle se torna mais fácil ainda.
- nesses casos não... nesse caos.
O controle sobre essas coisas todas nunca é nosso, controlamos apenas nós mesmos, mas cada vez mais vejo que sentimentos não fazem parte de nós.. eles giram em outro plano, são quase como espiritos. Não só os sentimentos, mas vontades, desejos, tudo isso vem de fora, e não de dentro
- "As emoções devem ser aceitas e controladas, mas não reprimidas"
o pai da psicanálise afirmou ... e eu concordei. Mas não consegui me adaptar, ainda
- Vê... não falo isso da boca pra fora, elas nunca vieram de dentro. Elas causam dor por quê não são de cá, não pertencem ao corpo. Quando sai tudo errado, elas comem o fígado, o pulmão, o coração. E a gente pensa que dói por quê gostava, por quê amava, por quê queria...

A conversa se diluíu com a noite, mas os pensamentos não...

...A gente finge que dói, e essas coisas fingem que comem, por que esta relação quando finda, mata de fora pra fora, e descobrimos que tudo o que ruía aqui dentro, era eco que invadia esse recipiente vazio, de coisas impalpáveis. Tudo o que precisavamos estava o tempo todo la fora, mas nunca enxergamos. Só sabemos olhar para ros barulhos de dentro, somos egoístas a ponto de pensarmos que tudo o que ecôa aqui, é fruto do que aqui habita. Mas a partir da boca têm-se sepultura. Achamos lindo o bater do coração, mas o peito é uma caixa, e o coração bate nele pra ver se algum dia alguém de alma boa abre a porta pra sua saída, mas nós, os egoístas, gostamos de ouvi-lo, é quase como o cantar do curió. Tudo o que pensamos sentir, são coisas do coração, é tudo o que ele suga quando a boca abre, é o alimento pra que aguente bater por muito tempo até que alguém entenda e o deixe sair. Tudo o que ele quer é um sonho inteiro, uma alma completa, uma felicidade só dele. Por isso dói tanto quando o que entra é dele um desafeto, ele bate ainda mais forte, pra poder ao menos vomitar pra longe dele todo o lixo que o fizemos ingerir.
Sabemos todos que se ele parar de bater, esse corpo que o prende será comido pelos vermes, e esse é o nosso maior medo. Tudo o que cultuamos a vida toda, para os vermes? Inadmissível! Mas então por que os sonhos nunca entram inteiros, nunca se esvaem pela boca os sentimentos tenros?
Por que se isso acontecer, o coração não caberá em nós e teremos que morrer com o primeiro sonho, ou o primeiro amor, e a vida em seus caprichos, mostra um pouco de cada, para que no final morramos pelo que nos fez mais feliz. Então a felicidade ganha uma eternidade toda.





Somos pequenos demais pra guardarmos os sentimentos que nos comem, quem dirá os sonhos que nos alimentam.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

cerra os olhos e desenterra os ossos da terra encharcado pelos olhos da guerra.
dá um laço, um braço, um maço, para eu morrer nesse abraço, nesse espaço entre o aqui e o depois. hoje eu quero morrer a dois.