domingo, 20 de novembro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

faço versos
feio um doido
fala na rua.

falo sozinho
feito fizesse versos

falo em sonho
feito falasse com uma flor

dou um grito como se fosse minha
a própria
linha do ecoador

belo horizonte, 16 de agosto, 2010

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pra sempre

O fim é eterno, não acaba nunca.
já me acostumei a determinadas despedidas. e não há temporada para elas, como ouvi esses dias,

'está a aberta a temporada de despedidas'.

despedidas com essas acontecem o tempo todo e não há guarda-chuvas para elas, sorte.

hoje, por exemplo, me despedi, para sempre, de três garotas que tranquilamente poderiam ser minhas esposas. e não me venha com ironias do destino. eu nunca mais vou vê-las, e nenhuma delas vai casar-se com um primo meu e eu serei padrinho. é pra sempre e pronto.

despedida é uma surpresa, e surpresa não tem dia e nem tendia, e por isso surpreende quando a tendência muda destino a mudança sem perceber, sem perceber.

surpreenda-me, mas não deixe de fazer uma visita se voltar.

domingo, 21 de agosto de 2011

Samba com Bethoven -



Meu coração toca surdo.

domingo, 14 de agosto de 2011

Relatividade

São lindas as luzes
Do caminhão dos bombeiros,
mas como é horrível vê-lo passando.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Trocadilho

De gênio e de louco,
Todo Paulo
quer ser Leminski.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Aos miseráveis.

Quando me vir calado
Estarei conversando com Deus.
Quando me vir falando com o homem,
estarei contando o que Deus me disse.
E em meus poemas,
estarei dizendo nada a ninguém,
e ninguém há de entender nada,
ninguém sabe do que estou falando.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O mar amor

Ah mar! Te esqueceram
Neste mundo moderno,
mas ainda vão ver amar,
que és o único verbo eterno.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pedinte

Uma voz disse...
"Neste metrô é proibido pedir esmolas..."

Então ele fechou seus braços,
E encolhido no banco frio,
Parou de esmolar abraços.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Quantos graus fazem agora dentro da sua casa?

"Os chamados para remoção de moradores de rua podem ser feitos para os números 199, 156 e 153." (Dados do jornal "Folha de São Paulo".

E então acordamos com muito frio, a coisa está feia no estado de São Paulo. As doenças respiratórias pioram, as filas em hospitais, já super lotados, aumentam, e a vontade de acordar diminui. Fato, alguns certamente não queriam acordar, nem daqui a cinco, dez, quinze minutos ou quinze dias. O frio nas cidades anda insuportável, e em São Paulo mais ainda.
Alguns seres nada discretos fazem fogueiras nas ruas, com seus cobertores e agasalhos imundos, tentam fugir das baixas temperaturas. Mas e o frio? Quando acaba?
Sinceramente, ele é o que realmente me preocupa, e não a temperatura. Nós lutamos pelo direito de todas as classes, mas morador de rua não tem direito, é como qualquer papelão, que vai pro triturador, cachorro que vira sabão ou manchas de sangue que são removidas com o poderoso VANISH PODER O2. A diferença é que para remover um morador de rua basta ligar para os números acima.
PARA A REMOÇÃO DE MORADORES DE RUA BASTA LIGAR... calma lá, com o quê estamos lidando? O quê será REMOVIDO? Era pra eu me sentir confortável com essa informação?
Obrigado, a cada dia me sinto mais imbecíl e egoísta dentro da minha casa. Não existe a mais remota possibilidade de estarmos todos bem, ou pelo menos era o que eu queria acreditar.
Descubro hoje que é insuportável para as pessoas verem um ser humano aquecido na rua enquanto elas passam frio dentro de casa, debaixo de 3 cobertas.
Eu me sentiria mesmo bem, se o frio estivesse do lado de fora da gente, como está para aqueles moradores prestes à remoção.
Hoje, dentro de casa, fazem -20º, mas minha comida não congelou, e eu estou aqui escrevendo um post para meus amigos lerem e acharem meu blog bacana. Obrigado por me tornar um monstro, adorável sociedade.

Somos monstros sem fazermos nada, e é exatamente isso o que nos torna aberrações, nossa horripilante inércia. (Só não tente compensar isso com uma ligação)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

aceito de muito bom-grado
suas migalhas
só as suas,
uma lasca de suas unhas coloridas
um a marca de batom no resto do seu cigarro
um esbarrão em baixo do semáforo.
pra eu me lembrar de você
por todo resto daquele instante.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Depois me calo

Uma
letra
muda
TUDO




MUDO.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Indefinição: Um diálogo

- Sabe como é, né? não tenho controle nenhum sobre nada.
- tem sim, bastante, até que tomam seu controle.
- tarefa fácil!
- Não as pessoas, mas as atmosferas, os sentidos, os sentimentos.
Não controla tuas risadas, mas teus sorrisos são comedidos
- Nesses casos, a tarefa de me tomar o controle se torna mais fácil ainda.
- nesses casos não... nesse caos.
O controle sobre essas coisas todas nunca é nosso, controlamos apenas nós mesmos, mas cada vez mais vejo que sentimentos não fazem parte de nós.. eles giram em outro plano, são quase como espiritos. Não só os sentimentos, mas vontades, desejos, tudo isso vem de fora, e não de dentro
- "As emoções devem ser aceitas e controladas, mas não reprimidas"
o pai da psicanálise afirmou ... e eu concordei. Mas não consegui me adaptar, ainda
- Vê... não falo isso da boca pra fora, elas nunca vieram de dentro. Elas causam dor por quê não são de cá, não pertencem ao corpo. Quando sai tudo errado, elas comem o fígado, o pulmão, o coração. E a gente pensa que dói por quê gostava, por quê amava, por quê queria...

A conversa se diluíu com a noite, mas os pensamentos não...

...A gente finge que dói, e essas coisas fingem que comem, por que esta relação quando finda, mata de fora pra fora, e descobrimos que tudo o que ruía aqui dentro, era eco que invadia esse recipiente vazio, de coisas impalpáveis. Tudo o que precisavamos estava o tempo todo la fora, mas nunca enxergamos. Só sabemos olhar para ros barulhos de dentro, somos egoístas a ponto de pensarmos que tudo o que ecôa aqui, é fruto do que aqui habita. Mas a partir da boca têm-se sepultura. Achamos lindo o bater do coração, mas o peito é uma caixa, e o coração bate nele pra ver se algum dia alguém de alma boa abre a porta pra sua saída, mas nós, os egoístas, gostamos de ouvi-lo, é quase como o cantar do curió. Tudo o que pensamos sentir, são coisas do coração, é tudo o que ele suga quando a boca abre, é o alimento pra que aguente bater por muito tempo até que alguém entenda e o deixe sair. Tudo o que ele quer é um sonho inteiro, uma alma completa, uma felicidade só dele. Por isso dói tanto quando o que entra é dele um desafeto, ele bate ainda mais forte, pra poder ao menos vomitar pra longe dele todo o lixo que o fizemos ingerir.
Sabemos todos que se ele parar de bater, esse corpo que o prende será comido pelos vermes, e esse é o nosso maior medo. Tudo o que cultuamos a vida toda, para os vermes? Inadmissível! Mas então por que os sonhos nunca entram inteiros, nunca se esvaem pela boca os sentimentos tenros?
Por que se isso acontecer, o coração não caberá em nós e teremos que morrer com o primeiro sonho, ou o primeiro amor, e a vida em seus caprichos, mostra um pouco de cada, para que no final morramos pelo que nos fez mais feliz. Então a felicidade ganha uma eternidade toda.





Somos pequenos demais pra guardarmos os sentimentos que nos comem, quem dirá os sonhos que nos alimentam.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

cerra os olhos e desenterra os ossos da terra encharcado pelos olhos da guerra.
dá um laço, um braço, um maço, para eu morrer nesse abraço, nesse espaço entre o aqui e o depois. hoje eu quero morrer a dois.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Amantes modernos

De tudo o que eu sinto
amar é o que mais faço
pena que minto.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

olhos azuis à luz de um isqueiro
ressurgiram das minhas lamentações,
do inverno
e da saudade,
a unica que eu não sentia.

e a chama ascendeu a palha
e se calou.
algumas palavras enfumaçadas
e pensamentos turvos,
distantes e distorcidos
pelos trilhos vistos.

nesta noite
eu estive lá
exato.
e já voltei pra cá
incerto do que houve
e do que ouço

sussurros no portão
me tirando o sono.

vou chamá-los chamo ao pé do meu ouvido
para me arrepiar
e confundir minhas parcas certezas
quando eu me embebedar
ao som do seu sorriso
e do fechar de suas pálpebras.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Capoeira de Angola

Dizia ser irritantemente torto.

Irritante meu amigo, é o tempo,

Que a cada minuto faz do presente um morto.


(À Rafael Rodrigues)

domingo, 27 de março de 2011

O amor existe

Ouve um filho de seus pais...
- Ele existe e é real!
E o filho pergunta: - Quantos reais?