sábado, 7 de novembro de 2009

Eis o menino que nasceu com o coração doente.


Apenas complementando o post (http://nodia36.blogspot.com/2009/11/o-menino-que-nasceu-com-o-coracao.html).

"Quem fala com a sabedoria de um professor, pode falar baixinho. Mas eu, sertanejo, vindo do sertão nordestino, só sei falar com o coração e não tenho como não falar emocionado".
(TOM ZÉ)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Compacto

Como se eu pudesse agradeçer, eu rabisco coisas sobre o tempo mais uma vez.

O compacto da semana toda cabe em uma sexta a noite. Alí no boteco mesmo, descansa-se até a exustão.

Alguns dirão que os sonhos compartilhados em um boteco são afogados em um copo de cerveja; eu diria iss também. Mas, com o otimismo que foi investido ao meu parceiro, ele dirá que os sonhos são curtidos e conservados em garrafas de cachaça - de Nega Fulô, para que ela tenha gosto de sonnhos, e os sonhos, sabor. Sabe como é, bebendo e aprendendo.

O compacto de 20 anos não cabem em uma noite de sexta-feira, alí no mesmo boteco, e talvez não tenha cabido nos 11 anos de convívio. Do que eu falo, na verdade, mal cabe nesse texto. Assim como a presença desse parceiro não cabe em bar nenhum e também como seu coração não cabe dentro dele mesmo. Parabéns brô.

[Hail hail to the good times
'Cause rock has got the right of way
We ain't no legend, ain't no cause
We're just livin' for today] - [For Those About Rock]

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O menino que nasceu com o coração doente.

As idéias do garoto fugiam da folha de papel, ele não conseguia terminar nada dentro do retângulo, todas as vezes que escrevia terminava no céu. Seus desenhos ficavam expremidos por um tempo na folha, eram gigantes de cabeças abaixadas como se a margem fosse um teto, mas os pés ele nunca deixava dentro da folha, acabava por desenhá-los no chão.
A professora ainda não encontrara explicação para as atitudes do garoto, ele dizia não caber naquela sala, era grande demais e o teto atrapalhava seus pensamentos, dizia que suas idéias ficavam sempre pela metade com todo aquele concreto em volta. Mas não fazia sentido.
Claustrofobia não poderia ser, a sala era bem grande mesmo com uma turma de 40 alunos, esquisofrenia talvez, pânico, problemas em casa ou até mesmo mentais, já que o rapaz começava a atividade no caderno e sempre terminava com o lápis rabiscando imaginariamente as nuvens.
Belo dia ela atravessda com toda aquel idéia o chama de canto:
- Meo bem, a professora pode te ajudar em alguma coisa? Não estou entendendo suas atitudes, você não termina as atividades, fica escrevendo no ar, não termina seus desenhos, nem mesmo copia o que passo na lousa. Existe algo que queira me contar para que não haja um aborrecimento entre nós?
- Sim professora.
- Então conte, precisamos achar um modo de resolver seu problema.
- Meu problema não tem cura tia, nasci com ele.
A professora se espanta um pouco, afinal o garoto parecia saudável e a mãe nunca disse nada à escola. Então com um certo medo pergunta:
- O que é?
- Nasci com sonho no coração, e ele pulsa tanto que as vezes me dói, já tomou contado meu coração todo vou ter sonho até ir embora deste mundo. Tenho também uma alma que surgiu em virtude desse sonho, que quanto mais eu cresço, mais pra fora de mim ela vai, e tudo o que escrevo só cabe no céu, não cabe em folhas, em salas, em mim, só no céu. Tudo o que escrevo lá, fica guardado, não perco nunca, fica tudo dentro da vida. E essa vida é consequencia de tanta alma e sonho.