domingo, 30 de agosto de 2009

Redução à alternativas

Semana passada fiz um simulado preparatório para o tal do Novo Enem. Isso pouco importa, verdade. Prova de português, havia um teste lá que me mostrava uma poesia de que gosto tanto.Ei-la.

"Cidadezinha qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus. "

Carlos Drummond de Andrade

Bom, boa parte deve conhecê-la, sim. O moço que fez a prova me perguntava algo sobre interpretação correta, ou errada não me recordo. Mas perguntava. Aconteceu que minha interpretação não encaixava em nenhuma daquelas alternativas do teste. Tá, eu consegui fazer o teste, mas aquilo não deixou de me revoltar de certa forma.

O bacana da arte é ela nos proporcionar um interpretação subjetiva, pessoal. Aí me vem um caboco que tira suas próprias conclusões sobre algo que foi feito para ser discutido e não afirmado e deseja que eu as engula. Expõe a literatura à uma banalização - reduz a arte à alternativas, e o pior de tudo, se elas são corretas ou erradas. Afinal a vidinha besta é minha.