quinta-feira, 25 de junho de 2009

Eu precisava ler um livro que não tivesse nada escrito, cheio de poemas que me contassem como seria o futuro, me remetessem um lindo passado e falasse que o presente só é ruim quando não o vivemos. Queria um carro que guiasse sozinho minha vida, algo que me permitisse rir do vento, da flor, do tempo. Mas o tempo passa sem que um sorriso se complete e embriaga um arrependimento, de não ter tido tempo pra fazer tudo.
E no começo de cada copo de cerveja vejo pessoas em bares e casas noturnas, no final de cada garrafa vejo uma aglomerado de ossos, músculos, tendões, rins, figado, intestino, tudo perecendo, ja jogado às moscas. Bípedes enfeitados por maquiagens, roupas, bonés, adereços, que aos poucos vão ficando gastos, se deformam vestindo a carne podre. Um senhor alerta: "A solidão dói, morar sozinho dói, mas o que mais dói é ainda ter dentro e mim algum sentimento, mesmo após bebado de tanta cachaça". E continuam os seres em grupos cada vez mais individuais, um grupo de 5, menos ou mais, onde um é mais solitário que outro. Mas tudo bem, pra quem já é carniça, isso é mero detalhe numa noite de tão bela podridão.
E o conformismo nos da a cada dia mais vontade de ler um livro, um bom livro e apodrecer em paz.

(De que adianta ter na ponta da língua tantas frases bonitas se em tua vida não às pode criar? )