sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sobre quebra-nozes e bailarinas.

[Não, eu não me inspirei no filme da Barbie, belê?!]

Tudo começa com umas três rodadas na corda que, acoplada nas costas, potencializa as engrenagens para quebrar nozes a semana toda.

Aí quebra-quebra-quebra-quebra-quebra-quebra...sem notar o universo que há dentro da casca de noz, como propôs o tal do Stephen.

Mas chegado o fim da semana, não o fim de semana; o quebra-nozes quebra-nada.

Só que nos dias de hoje, é difícil achar bailarinas, propriamente ditas, por aí, não? Então, comé que fica o soldadinho? Serve-lhe um futebol, sevre-lhe uma cerveja...até mesmo um vento que lhe despenteia os cabelos, ou uma viagem ao céu daquela cidade donde a alma descendeu. Às vezes, aparecem bailarinas que nem sabe que de fato dançam e os quebra-nozes, que também não sabem se o são, sem querer, são encordados.

Ah, mas quantas vezes na desesperança, meu amigo! qualquer coisa lhe serviu, e a boca arrancou da alma um sorriso de alívio, talvez. E ele segue semana a dentro na labuta-rotina que já não se sabe por quê. E quebra-quebra-quebra-quebra...e o coração faz "crack-crack".

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Por quatro olhos vi São Paulo virar.

Porque caminhando, da sé até a republica, oito da manha.. já me senti fora do corpo.. todo aquele lixo mágico, aquele frio, aquele nao amanhecer.. todo mundo virou morador de rua, todo mundo teve que mijar no chão.. sabe? a beleza natural de sao paulo, que é o mar de gente.. o mar de lixo.. ver aquele povo todo querendo dormir, dormindo na rua, no chão, na pedra, na arvore. Foi uma virada de mundo, você está em uma cidade onde todo mundo vive dentro de carros, metrôs, casas, apartamentos, escritórios, e quando se da conta de tudo aquilo, nada mais importa, não importo eu, não importa você, não importa sua fome, sua sede, o que importa é a rua, dormem nela, comem nela, comem ELA. A rua é sua, o centro é seu, use! Pra dormir, pra acordar, pra transar, pra gritar, cantar, dançar. Sou eu pegar um mapa da virada no lixo, e aquilo ser naquele momento tão luxo pra mim quanto praquele cara que ta catando as latinhas.O cara que ta com uma toca com as cores do reggae encobrindo seus dreads, foi num show de trash, e no samba logo em seguida.
É ouvir dentre pessoas, vendo por um telão, um microfone se fazer único:
"-tudo começou da vergonha
O filho tinha vergonha do pai, porque o pai era palhaço.. cresceu sem dizer aos amigos onde é que o pai trabalhava..acabou seguindo outro caminho e se formou em direito.. um dia chega a noticia de que o pai eatá a beira do morte, e o filho vai visitá-lo. Entao ele se acocora ao lado da cama, pega a mão do pai e diz:
- PAI, ME ENSINA A SER PALHAÇO?
-ISSO NÃO SE ENSINA, SEU BOSTA!!" ( CODEL DO FOGO ENCANTADO)
Se fosse um show da ivete, entre uma musica e outra ela diria: "QUEM JA BEIJOU MUUUITO AQUI NA VIRAADA?"
Todo mundo que me perguntava como foi só ouvia uma resposta:
-EU NÃO CONSIGO TE EXPLICAR
Vi pessoas passando por baixo, do lado e por cima de mim.
E mesmo dizendo isso, sem ter visto, você vai dizer: - LEGAL. Mas... legal, legal não define nem o menor pedaço de papel que ficou naquele chão das 18 horas do sabado às 18 do domingo!Se eu falar que ver uma metaleira dormindo numa pedra no meio do lago foi lindo, as pessoas vao tacar bosta em mim.. mas foi! Foi lind por que são paulo deu atençãos aos seus filhos, netos, hospedes, deu atenção a todos pela primeira vez no ano.
Tudo ali era puro,o lixo, os pecados, a cidade. São paulo tinha o ar limpo, o frio era estancado pelo calor das pessoas, e a solidão era coisa de quem tinha medo de sí mesmo.

Texto por: Heitor Turci e Marcella dos Santos Ferreira