quinta-feira, 12 de março de 2009

Anote na agenda.

Anotei o número do telefone de uma amiga em um papel quando a encontrei em um bar, ficamos de fazer algo qualquer dia. Dia seguinte passei o número para o meu celular dando inutilidade ao papel, já que estava escrito e eu não poderia reaproveitar (o outro lado rabisquei tentando fazer a caneta pegar). Papel inútil, telefone anotado, destino do papel? exacto, lixo! Mas não reparei, ao joga-lo em direção ao lixo, que caíra no chão. Contribui com a degradaçã do meio ambiente!
O papel não permaneceu alí por muito tempo, um rapaz que passava pegou, mas antes de joga-lo no lixo abriu, guardou- o em sua carteira e foi embora. Durante o dia todo, nada foi feito do papel, nem lixo, nem ligação, mas esta estava prestes a sair do papel.
O rapaz tornou a verificar o número, acima do número constava o nome da pessoa , que provavelmente, seria residente na casa onde o telefone tocaria se aquela combinação de números fosse acionada de qualquer telefone público por exemplo. No outro dia, respeitando o horário comercial, o rapaz ligou para o número. Assim que o telefone foi atendido o indivíduo que efetuou a ligação pronunciou-se avisando o sequestro: -"Seu rebento ta comigo tia, se a senhora vacila perde a meninona aqui. Não quero polícia, não quero marido da senhora vindo falar grosso, a senhora vai me ouvir e não vai abrir essa maldita boca. Pra não fica de idéinha errada... escuta o que sua menina vai fala.."- a mãe se desespera ao ouvir aos prantos a vóz de sua filha, pedindo pelo amor do criador que a tirasse daquele inferno mediante qualquer condição imposta pelo meliante. O sequestrador retoma a conversa tendo de fundo gritos desesperados de socorro em meio a um choro contido: "Aí madame, a senhoria viu que não tô brincando nessa porra aqui (paralelamente grita varias vezes: -" cala a boca se não te fodo com a vida sua vadia!"- com a garota que estava em suas posses). Então a senhora vai pega o carro, sem desligar essa merda, e vai até o banco que a senhora tem a grana".
As negociações vão ocorrendo sob gritos, ofenças, choros, ódio. Um filme se passa na cabeça da mãe e do meliante, ambos queriam logo o fim. A mãe tenta se acalmar enquanto dirige, mas faz ultrapassagens perigosas, freia no meio das faixas ao ver o semáforo dando sinal vermelho. A cabeça só consegue ouvir ordens, choros e mais nada, os olhos já não veem.
Ao chegar ao banco a ordem é que faça a transação em um caixa eletrônico para que ninguém interfira e "sua filha continue viva". Passa reto pela moça do "Posso ajudar?", que logo percebe o choro e tenta ampará-la, pergunta se está tudo bem, torna a perguntar, mas a senhora não da ouvidos e continua a mecher na máquina com um certo afobamento. O medo toma conta, mas vem uma ponta de alívio quando ve na tela a mensagem de conclusão da transferência. O sequestrador é avisado, diz que a garota será liberada, mas a polícia deve permanecer fora disso, ele tem informações a respeito da residencia, carro, horários, tudo sobre a família.
Ao chegar em casa, a mãe encontra a filha e vai, com o rosto banhado em lágrimas, abraça-la. A filha se assusta e pede explicações para uma atidude tão atípica, e de certa forma preocupante. As explições são dadas e, com elas, a descoberta do perfeito golpe. Toda a poupança da família fora transferida para um aproveitador. Aproveitador, pai solteiro, que estava indivdado, desesperado, e tinha uma filha para criar, filha única. Mas agora estava tudo pago, seu golpe foi perfeito e certeiro.
Um dia antes da brilhante idéia, em um bar qualquer da cidade, ele havia conhecido uma linda mulher, que como ele tinha filhos, que como sua filha, ficavam o dia todo em creches públicas para que seus pais, solteiros, arrumassem o sustento da casa. Ele conversou a noite toda, passou seu telefone em um guarda-napo com a seguinte anotação: "3900-0666, Sr. F pai da l Maria,rs! me liga GATA!". A garota simpatizou-se com ele, anotou o telefone no celular e jogou o papel no lixo, mas não percebeu que o papel não caíra dentro do cesto, cai na calçada da rua 23 de maio, um rapaz que por alí passava...

segunda-feira, 9 de março de 2009

"morando em São Gonçalo você sabe como é..."

Não???

Tudo bem, eu também não. Queria saber, mas não sei. Sei das pontes engarrafadas e dos orelhões escangahados da música do Jorge, Seu Jorge.

"Por que isso agooora rapazinho???", talvez perguntem. É que além dos rolos com mulheres e etc's que quase todos os lugares podem nos proporcionar, também mencionados na música, alguns lugares são especialistas em nos causar, não exatamente engarrafamentos e escangalhamento (???) de orelhões, mas situações corriqueiras e tediantes.

Talvez seja óbvio! Mas nem tanto. Nem sempre ter o que fazer é se sentir entediado, mas sim estar de SACO CHEEIO!!!! Talvez eu esteja de saco cheio...

Do que? Não sei...determinismo talvez...ou até mesmo razões antropológicas, psicológias...sei lá!
Acho que os lugares me cansam com certa facilidade. E das coisas também, pessoas, rotinas e blá blá blá's que todas as cidades contém.
Afinal, elas não são feitas apenas de pretinhas, orelhões escangalhados, cartões zerados e pontes engarrafadas. Que podem ser divertidas, mas cansam e se tornam tediantes.

Penso que as cidades são complexas somas que se resultam em ZERO.

Diário de bordo: de um lugar bem loooonge de São Gonça!